



imagem retirada do site: www.olhares.com
Tive vontade de voltar para trás. Girar nos tornozelos rezando para que não me reconhecesse, ainda dava tempo de ir embora, poderia alegar que cheguei atrasada, que estava sem óculos, que não ouvi me chamar, mas, como sou adepta das direções opostas, não fiz isso.
Me despi da mulher, esqueci que os anos passaram por mim e fui brincar de namorar com o menino de sorriso fácil e que prometia me mostrar o mundo através de seu olhar, eu, que havia conduzido tantas histórias, ditado tantos caminhos, deixei que você, antítese de tudo que já havia tido, me conduzisse e adejasse para dentro da minha história e de mim, é que quando a alma pede todo o resto é oco.
Então baby, minta pra mim. A pior mentira com sabor de verdade. Diga que eu sou a única, que não sou uma farsa e nem você um plágio, e faça comigo o que de melhor você sabe e eu vou acreditar...
Disfarcei que te comeria com os olhos e que meus lábios sugariam todo líquido involuntário e pressuroso que concedesse teu membro, afinal estava na brincadeira de namorar e me abandonei na menina insegura que cultivei só pra te entregar. Fui nó bem apertado entre as pernas. Fui bem menos do que sou, vadia disfarçada em inocência nos tons azuis...
Recolhi os olhos e a sanha enquanto desfazia do peito as amarras e escondia as feras, querendo que você recitasse um milagre, não pedisse para sairmos da meia-luz, erguesse templos, me fizesse esquecer da simetria desconexa das estações que já secaram em mim, que afastasse de meus ouvidos esse réquiem e tocasse os acordes exatos, maestro e harmonia da minha sonata infrene, que me convertesse na conseqüência de sua devoção.
Então, minta pra mim, diga que sou a miragem do oásis, que a lembrança do meu beijo será eterno calafrio, que está tão perdido quanto eu, que sou a fruta predileta de sua farta cesta, que meus gemidos recatados serão contrições no teu ego.
Eu, liqüefiz-me em suco que escorre pela sua boca faminta em busca das minhas fendas, vasculhando saídas. Fome que já não tinha mais nome, só marcas de cartografia na minha alma febril, abrindo em flamas e em movimento aos teus dedos e língua, e a seus olhos o corpo que se fazia poesia tocado pelos deuses ou demônios, sabe-se lá...
Fique à vontade, minta desde que seja com muita sinceridade e meiguice, porque só assim me sinto confortável diante de você e sacio eu as minhas fomes, porque no final das contas, são elas, as fomes minhas, que me importam, então minta, minta...
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Em 03/09/07: Como eu gosto de me espalhar, fui para aqui, numa rapidinha gostosa com a Crys. Beijos...