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//Créditos




Eis que retorno ao conhecido depois da frustração por errar em decidir percorrer direções opostas. E não é por acomodação. É por precisar especificamente dele. Mesmo pensando ele, que poderia ser por qualquer um outro. Mal imagina ele que essa necessidade tem seu nome próprio: Felipe.
Não dá para explicar o tanto que ele sabe de mim mesmo nos falando tão pouco e nem depois de tudo, depois desses cinco anos, sempre vem essa sensação de que nunca mais nos veremos. E nos vemos, entre distâncias e (in)quietudes.
Ele é o cessar da ardência sufocada e o caleidoscópio das cobiças vencidas. O fim dos engodos, das precisões de juras, das cobranças, das conveniências. E se ele é o fim, é por ele que (re)inicio.
E ainda assim eu me ausento, e ele me faz voltar. E ele poderia esquecer-me, mas não fecha a porta, porque não dá pra explicar o que nos acontece em dias que as flores se doam e o cio se faz farto e doído.

Eu poderia contar que sei de sua inteligência e que tenho para mim suas ignorâncias. Que o vejo como lua crescente que dança libertina no meu purgatório. E também que entendo as ambições de sua alma. As querências de sua pele.
Ele poderia saber que eu gosto de me deitar numa rede quando o sono me procura. E poderia saber que brigo com meus cabelos todos os dias. Ou que brinco de boneca feito criança de cinco anos. Ou os malabarismos que faço para segurar as coisas entre os lábios cerrados quando me faltam as mãos.
Ele sabe que possui o que é meu também, que chora pelo o que choro, que deixou de brigar contra algumas recriminações pelos mesmos motivos que deixei de me preocupar com algumas outras. 

Felipe sabe de mim. É quem eu sou, num reflexo sem distorções. Está em Felipe a minha polaridade feminina e em mim, a sua masculina.  Felipe é Terra que acolhe meus pousos e eu, Fogo que dissipa tua solidão. Somos solitários. E solidários. E quando nos negamos, não é rejeição: é proteção.

O obsceno não existe em Felipe. Sacro e profano convivem harmoniosamente em seus cômodos. E ele tem aquele quarto. Aquele quarto que é tão ele e que tem tanto de mim.
É naquele quarto que res(s)umo o cheiro do ontem por entre as pernas, tatuo constelações entre os seios e da minha pele ele faz a sua rota. Se a calcinha não combina com o sutiã, não importa. Eu assento em Felipe. Os meus sentidos se misturam aos seus beijos sôfregos. Beijos sem conseqüências. Destemidos beijos. Respeito quem beija sem reservas. E eu o beijo sem medo, feito Narciso diante de sua imagem num espelho. E ele não me beija como quem tem pressa para bater o cartão de ponto. Só pessoas como nós sustentam os olhos abertos para ir além dos contornos suaves. Olhos nos olhos, como deve ser. Sem condenação, com algum desafio.
Não dá pra explicar essa falta de pejo dos meus lábios ao gemerem indiscretos e seu o recolhimento quebrantado. Não preciso disfarçar que sou puta com cara de santa, ele sabe-me: santa-puta que alcança indulto para seus desatinos quando ele me traz pra perto, me pega pelos quadris e me puxa pra junto dos seus: 
E eu desato,
-amolecida-
Ele se abre. 
Eu umedeço as reentrâncias,
Ele dói em turgidez. 
E todo o meu mundo pára quando me penetra,
Felipe é vasto dentro de mim. 
Castigo e redenção.
Eu galgo neste selvagem,
Ele chicoteia a sombra da donzela que resta em mim. 
Eu me farto,
-agradecida-
Ele me basta.
Eu rebolo,
Ele me (re)encaixa.   
Eu suo as madeixas,
ele me seca as chagas.
Avançamos-recuamos.
Serpenteiamos-esvoaçamos.
Solidificamos-esfumaçamos.
Eu pulso,
Ele não esmorece.
Eu suavizo,
-vivida-
Ele atinge o cume.
É no gozo dele é que restabeleço meu tratado de paz.
Não dá pra explicar essa (in)constância entre nós e muito menos essa (in)conveniência de pedir sempre mais da vida por acharmos que ela nos deve só o tudo e, no entanto, o que temos abrevia-se a nós mesmos. Não dá.

- eu poderia escrever linhas e mais linhas sobre Felipe, todas cheias de parênteses. Trechos e mais trechos, todos sem reticências  Porque escrever sobre ele é discursar sobre mim, mas eu resguardo(-nos).


(Desconheço o autor da foto, se alguém souber...)
*Felipe jura q essa frase é de Drummond. Eu a suponho de Bierce, se alguém souber...



- Feliz Natal!!! Ótimo 2008!!! - Cherry às 00h25
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Eu perdi o seu telefone com medo da verdade
(Sugestão da srta. Bia)

(ou: Conversa Improdutiva)
(ou ainda: Amantes perfeitos, desde que em silêncio.)*

Não entendia aquele silêncio. E só um homem poderia explicar o silêncio de outro homem.

- Porque vocês homens somem?

- Heim?

- A gente se conhece, faz sexo e acha que é possível, mesmo com todas as adversidades. É, é mais do que sexo... Bem, de qualquer maneira, eu sei onde te encontrar, mas você se antecipa e promete me procurar, e depois some? Tem que haver um motivo! Só um, eu só quero um motivo!

- Do que você está falando?

- Eu quero saber por que é tão difícil deixar se apaixonar por mim e se é tão fácil se manter distante!

- Quem disse que é fácil se manter distante?

- O silêncio. Agora me responde: por quê?

- Querida, você impõe esse silêncio.

- ?

- Homem nenhum gosta de pisar em terreno arenoso. Somos inseguros. Não fazemos declarações de amor se não tivermos vários indícios de que somos correspondidos, em alguns casos nos declaramos só para não parecermos desajustados e em outros casos não nos declaramos mesmo estando arriados pela paixão só para parecermos adequados. Não aprendemos a caminhar nas nuvens mais aprendemos a nos tornarmos capachos para os caprichos das mulheres quando estamos apaixonados. Apaixonados... E você é a pior! O que conta sobre você? Eu só sei o que quer que eu saiba, e acredite, é bem pouco. O que sei é que usa o corpo como armadura,  pra que ninguém toque seu interno. Chama de acordo, mas é na verdade uma batalha. E tem esse jeito de olhar...

- Qual jeito?

- Debochado. Parece que está sempre brincando, que tudo tem pouca importância pra você. Tudo e qualquer um. Um qualquer... E quer saber o que é mais contraditório nisso? Que você brada amor por seu marido! Um homem que não faço a mínima noção de como é, só sei que você o ama. E ama. Então, alguém tem importância pra você. Consegue entender?

- Então o problema é ser casada?

- Não. O problema é parecer não ter importância pra você.

- Quem? Você?

- Acho que todo mundo se sente assim em relação à você, até mesmo os anjos, querida. 

- Ah, isso não é verdade. Tirando-me da questão, generalizando, uma pessoa só entra na vida da outra por algum motivo, por alguma relevância.

- Qual o motivo d'eu estar na sua vida?

- ...Sexo...?

- Pois é, tinha esquecido que a sua sinceridade excessiva também mantém os homens em silêncio. Mais espera ai! Essa conversa não é sobre eu e você. Ou sobre você e seu marido. É sobre você e outro homem! Ou outro anjo? Você se apaixonou!!! Quem é ele?

 

...

 

- Querido, você sabe mais de mim do que eu quero...

 


 

*aceito idéiais para um título melhor...



- Feliz Natal!!! Ótimo 2008!!! - Cherry às 01h42
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